O trabalho mais difícil do mundo.

20 de setembro de 2026 0 Por walter_jr

Imagine aquele emprego, não um qualquer, mas sim o mais importante que você poderia exercer na vida, que exige muitas responsabilidades e requisitos.

Nele é necessário dispor de muita energia e esforços físicos e psicológico para carregar o peso e suportar ambientes caóticos. É necessário ainda um alto poder de negociação e relações interpessoais para lidar com a constante mudança de humor dos associados além de conhecimentos em medicina, finanças, educação física, pedagogia e psicologia. O trabalho exige ainda dedicação integral, 24 horas por dia, sete dias por semana, sem férias, folgas, finais de semana ou feriados, inclusive tendo que passar a noite com um associado, eventualmente.

Para compensar todo o esforço a remuneração é zero, não existe. E mesmo assim, bilhões de pessoas exercem esse trabalho ao redor do mundo.

Pai.

Já ouviu alguém dizer algo do tipo: “quando você for pai/mãe, você vai saber…”? Quando jovem, eu sempre balançava a cabeça afirmativamente como se eu soubesse o significado, mas a grande verdade é que eu não tinha a menor ideia.

Atualmente na minha vida, e acredito que na de muitos de vocês que leem esse artigo, divido o meu tempo basicamente entre duas coisas: família e trabalho. E analisando friamente, cheguei a triste conclusão que muitas vezes passo mais tempo no trabalho do que com a família, penso mais no trabalho do que na família e me dedico mais ao trabalho do que a família.

Como atenuante posso dizer que é visando o bem comum, a sobrevivência e, na maioria das vezes, ocorre de maneira inconsciente. Afinal, a família me espera e o trabalho não; a família me ama, o trabalho nem tanto. Interessante e às vezes impactante parar para pensar nessa relação família x trabalho e como isso começou a ficar mais intenso depois que ganhei meus filhos.

Sempre fico mais emotivo a medida que se aproxima o dia dos pais. Você pode até pensar que é uma data comercial, inventada para vender mais e coisa e tal, mas a realidade é que te faz parar para pensar sobre paternidade e sobre o que você imagina e quer para seus filhos. Deixar um legado, compartilhar experiências, doar conhecimento. São ações executadas com a simples finalidade e prazer de ver outras pessoas, não necessariamente, mas especialmente filhos, progredirem em suas vidas, suas carreiras.

Para mim, a vida profissional se divide em antes e depois de ser pai.

No início da carreira trabalhamos para ser bem sucedidos, obter reconhecimento e obviamente ganhar um bom salário que nos possibilite desfrutar os confortos e prazeres da vida material. Viajar quando quiser, ler um bom livro de cabo a rabo em uma semana, assistir todos os episódios de uma série em apenas um sábado, dormir tarde da noite jogando conversa fora com os amigos, dormir e acordar a hora que bem entender.

Aproveite enquanto pode. Depois dos filhos isso não te pertence mais!

É engraçado como as prioridades na vida de um homem mudam com a chegada de um filho.

Com a paternidade, além de ser bem sucedidos e reconhecidos no que fazemos, a grande preocupação passa a se tornar um bom exemplo para nossos filhos. Todo e qualquer egocentrismo desaparece e o senso paternal aflora de tal maneira que não compreendemos de onde vem esse sentimento. Mesmo com tantos choros, birras, gritos e bagunça para todo lado, ainda assim nos preocupamos genuinamente com eles.

É realmente um dilema quando temos que ficar até  mais tarde ou trabalhar no fim de semana. “Estou perdendo tempo de vida com eles. Será que eles entenderão no futuro? Afinal estou aqui me esforçando para dar uma vida melhor a eles…” – pois é, talvez a vida melhor para eles seja passar mais tempo jogando bola com o pai.

Apesar de isso sugerir que nosso rendimento profissional possa cair, acredito muito no contrário. A necessidade de ser um bom pai fez com que eu pensasse em maneiras de ser mais efetivo e eficiente nas tarefas diárias. Fazer mais com menos e de maneira mais focada e responsável. Passei a organizar melhor as rotinas, já que há mais pessoas precisando de mim, e a delegar mais tarefas a minha equipe, desenvolvendo as habilidades responsabilidade de cada um, como um verdadeiro líder deve ser. Ainda tenho muito a melhorar, porém a paternidade desenvolveu em mim esse raciocínio.

Talvez essa fase de cuidados e preocupações passe com o tempo e eu volte a exercer meu egocentrismo com tranquilidade, mas é certo que, antes mesmo que eu ensinasse alguma coisa a eles, eles é quem estão me dando uma lição.

Hoje sou pai e agora eu sei…

Meu pai, assim como minha mãe, sempre trabalhou muito e trabalha ainda hoje, mas tomo ele como grande exemplo pois mesmo sem dedicar o tempo que com certeza ele gostaria, ainda assim me passou valores importantíssimos que pretendo replicar ao meus filhos.

Vou trabalhar para isso, na empresa e na vida.

Nota: esse texto não é meu, mas o guardo impresso por uma década, pois o encontrei na internet quando minha filha tinha uns dois anos na época, ou seja, o texto é de 2016. Muita coisa mudou de lá pra cá, nessa época eu também já não tinha mais meu pai, ele faleceu em 2006, logo já tinha se passado dez anos também. O autor é desconhecido, mas o crédito é todo dele.